31 de outubro de 2012

PIGS

No outro dia encontrei-me com um amigo Coreano que veio visitar Madrid.
Punha-mos a conversa em dia no Museo del Jamón - esclareço já qualquer equivocaçao com os nomes: o Museo del Jamón tem muito de cultural sim, pelo espírito Espanhol que vive dentro, pelas cañas, pelas tapas e pelos presuntos pendurados a forrar as paredes, mas nao por qualquer outra obra edificadora ou considerada artística sobre este fumado. Bebiamos umas cañas e conversavamos de trivialidades até que ele me perguntou se a crise se fazia sentir em Espanha. Exposto o evidente ele conclui:

- Pois, é que voces pertencem à economia dos PIGS.

- Como? - perguntei achando que tinha percebido mal.

- PIGS! - e como se fosse a coisa mais evidente do mundo desenrola a sigla - Portugal, Italy, Greece and Spain. A Irlanda é agora normalmente englobada tambem, PIIGS.

Eu nao queria acreditar, fiquei de boca aberta e ele perguntou (e perguntou para confirmar várias vezes depois):

- Nunca tinhas ouvido? A serio? É como vos chamam nas noticias, como agrupam os países da crise.

- Mas que noticias??????

- As internacionais, Inglesas acho eu.

Fiquei estupefacto!
Ja confirmei e parece que sim, que é uma sigla vulgarmente utilizada em jornais e telejornais...
Nao sei, mas sinto-me estranha e exacerbadamente ofendido.

15 de outubro de 2012

Provébios 26

Estou a ler o Ensaio sobre a Lucidez do Saramago. Nao está a ser um dos livros que mais gosto dele, mas nao deixa por isso de ser uma boa leitura.
Numa das suas divagaçoes, chamadas por uns, descriçoes supérfulas, dirao outros, ou momentos de narrativa soberba, enaldecerao uns quantos, Saramago escreve aquilo que acredito ser um desses provérbios mais antigos que vao caindo em desuso mas que ele sempre lembra, uma e outra vez, em cada livro. Eu pelo menos nunca o tinha ouvido, fica aqui:

(...) a esperança é como o sal, nao alimenta mas dá sabor ao pao.

Nunca fui uma pessoa de grandes esperanças, gosto de ser consequente, mas como bom Português, gosto da comida salgada!
Que nunca nos falte o sal, é uma nota inerente à nossa comida!

23 de setembro de 2012

Medio Oriente!?

O serao tinha sido passado a tomar chá! Numa mesa redonda olhávamos para a Plaza Castilla e bebericávamos dos pequenos copos comprados em Córboda que ofereci ao anfitreao por ocasiao do seu regresso a Espanha. O chá era do Mercadona, mas pela companhia ou provavelmente pelo doces típicos vindos do Irao, sabia como um verdadeiro chá da Pérsia.

Decorrido o serao animado com vídeos, musica e debates filosóficos e políticos decidimos dar um passeio até às Puertas del Sol, sabíamos que o caminho era recto, só nao tínhamos certezas da linha a seguir.
Ao perguntar aos prestáveis transeuntes espanhóis todos nos diziam que era demasiado para andar! que devíamos apanhar o metro, mas insistíamos em que queríamos andar e entre advertências lá nos explicavam o caminho: "sempre em frente nesta direcçao". O Google Maps diz-me agora que caminhamos exactamente 8.0km, foi um bom passeio que acho que repetiremos!

O objectivo era beber uma caña no destino e assim o fizemos. Naturalmente, a conversa continuou e continuou mais ou menos assim:

A- Igor, aqui na Europa as pessoas confundem muitas das coisas que se passam no Médio Oriente! O caso dos camelos que falamos há pouco! Ouve-se falar em camelos no Egipto e de repente todos os países do Médio Oriente têm camelos, isso é uma coisa do deserto!

I - Sim, é verdade, nós confundimos um bocado essa zona do globo... árabes e muçulmanos, Afeganistao e Paquistao, a antiga Uniao Soviética, para nós é tudo o mesmo.

A - O que é para ti o Médio Oriente afinal?

Fiquei um bocado embasbacado com aquela pergunta! "O que é para mim o Médio Oriente?" - pensei! A primeira resposta que pensei foi, "é tudo o que na Euroasia nao é Europa, Russia, China, Koreia e Japao" e ri-me mentalmente, mas dizer o que "nao é", nao é bem o mesmo que dizer "o que é!" e pensei melhor:

I - Bem... hum... o Médio Oriente é aquela zona entre a Europa e a China...

A - A zona dos árabes? - Interrompeu-me o A.

I - Hum... sim, acho que se pode dizer que sim!

A - Igor, no Médio Oriente tu tens árabes, turcos, persas, judeus... tens uma diversidade cultural e genética muito muito grande!

I - Hindus também! Sim, é verdade! Sao mais diversos em cultura e mesmo geneticamente que os Europeus.

A - Nao falemos sequer na Índia! Apesar dos Hindus serem a maioria a Índia é conhecida no meu país como o país das 72 naçoes! Sabes que se fores para o norte da Índia as pessoas sao brancas, assim como tu, já no sul têm uma pele muito mais escura, é um país com MUITA gente, e muito diverso. E o Paquistao? O que achas do Paquistao?

I - Sao muçulmanos nao sao?, imagino que sejam árabes.

A - Sao paquis! Sao muçulmanos na maioria sim, mas têm uma genética e uma língua muito diferente do árabe.

I - Realmente... nao sabia.

E fico a reflectir em como na Europa também somos maioritariamente cristaos. Mas dentro dos cristaos temos católicos, protestantes, manas, testemunhas de jeová.... e no entanto a nossa genética nao é sequer muito distante! Talvez os latinos sejam diferentes dos norte europeus, mas nao vejo grandes diferenças além desta! Por outro lado, os muçulmanos também se dividem, xiitas e sunitas como as duas ramificaçoes principais que depois se subdividem noutras separadas. Falar da Índia realmente ultrapassa o meu conhecimento... tem demasiado que nao conheço em cultura e religiao. E além de tudo isto, as diferenças genéticas sao mais marcadas que na Europa, um turco nao é um persa, e um judeu nao é um árabe e isto pode, muitas vezes, notar-se pelo olhar apenas!

Ter amigos destes países abre-me uma perspectiva do mundo que nunca tive! É realmente o conhecer de um novo lado prisma. E fico estupefacto com a minha ignorância!

5 de setembro de 2012

Os lideres nascem lideres, ou aprendem a ser lideres?

Uma pergunta frequente nos testes psico-técnicos. Uma pergunta que sempre me deixou indeciso na resposta.
Naturalmente que podemos aprender a ser pessoas diferentes, melhores ou piores conforme as nossas experiências, pelo que, naturalmente também, acho que se pode aprender a ser um bom líder.
Por outro lado, olho em volta e na minha apreciaçao subjectiva acho que existem pessoas que nao teriam a capacidade para liderar bem um grupo nem que o tentassem fazer durante anos. Se essa inadaptidao se deve a um conhecimento por adquirir ou é realmente devida a uma incapacidade comportamental inata nao consigo afirmar com certeza, mas acredito que todos nascemos com alguns traços inerentes de personalidade, pelo que sim, acho que alguns nascem mais propensos a algumas actividades e menos a outras.

Lembrei-me deste tema porque estou a acabar de ler a auto-biografia do Nelson Mandela, como já tinha dido, e chegando ao desfecho esperado começo já a pensar nas primeiras páginas onde retrata a sua infância e faço eu o percurso mental daquela vida... a forma e o meio em que cresceu, os processos por que passou e a forma como se construiu. Penso agora, há distância ilusória de umas semanas de leitura onde percorri a sua vida de mais de 70 anos, que desde pequeno se lhe mostravam esses traços que o distinguia de muitos... uma responsabilidade inerente, uma independência natural e um respeito pelos demais assegurado, boas qualidades para um líder a meu ver.

Gostei do episódio do jogo (luta) do pau que conta, senti-me identificado com estes pequenos episódios de infância que nos recordamos porque representam cada um um momento onde, de um momento para o outro, aprendemos algo. Como se de repente determinado assunto ficasse entendido e arrumado na nossa cabeça.

O Mandela lembra-se de várias lutas do pau, era um bom oponente diz, mas nao gostava quando via algum oponente humilhar o outro, afirma que se pode ganhar sem humilhar e que nunca humilhou um oponente.

Sempre fui, e continuo a ser, uma pessoa competitiva. Gosto quando faço algo bem feito, em igualdade de circunstâncias, gosto de saltar acima da média. Acredito na justiça e portanto só me revejo crédito se vir que todos os que me rodeiam têm as mesmas oportunidades que eu e que partindo todos do mesmo início eu consigo uma boa marca, nao gosto de batotas...

Lembro-me de um episódio, no secundário, onde deixei de estudar na véspera de um teste porque uma colega me disse, em preocupaçao, que nao ia poder estudar naquele dia porque a mae estava doente! Achei que era injusto que eu estudasse, já que ela nao tinha culpa da mae estar doente, e nao estudei nesse dia.

Deste episódio nao tiro grande moral, a nao ser que os adolescentes sao um bocado parvitos!

Dito isto, sei que nao humilho os meus oponentes, a satisfaçao de um bom resultado advém da minha conquista, nao da sua derrota, mas a verdade é que este sentimento, ao contrário da constância e maturidade de Mandela, foi-me aprendido por falhas pessoais em dois episódios recordados, um na minha infância e outro por altura do episódio anterior. Por me manter na mesma época conto o segundo!

...

Nos torneios inter-turmas desta altura a minha turma ficava sempre (nao me recordo nenhuma vez em que nao tenha acontecido) em primeiro lugar: no basket, futebol, voleibol, corfebol, etc, esses desportos que se aprendiam em Educaçao Física.
Antes de uma final de voleibol as duas turmas, todos conhecidos de recreio e até alguns amigos desse tempo, trocavam impropérios sarcásticos mas aceitáveis para a ocasiao. Entre as "bocas", como se diz na gíria, de um lado e do outro, a dado momento eu disse ao capitao da outra equipa, que era um, termo tecnico, "gingao" lá da escola: "Nao sei p'ra que é que vao jogar, sabes que vao perder!", a fama da nossa turma era conhecida e aquele comentário tocou-lhe a fímbria e aguçou-lhe a vontade de vencer.

A tradiçao manteve e entre abraços, gritos, ovaçoes e espera de medalhas o capitao derrotado passou perto de mim para os balneários e foi aí que eu lhe disse 3 palavras das quais ainda hoje me arrependo: "Eu disse-te!"
O que se sucedeu tenho-o gravado na mente e apagou tudo o resto pois nao me lembro nem do jogo nem das medalhas nem de mais nada; com os olhos túrgidos ele deu um passo na minha direcçao e com a mao em riste gritou: "MAS TU ÉS PARVO? ACHAS QUE ISSO SE DIZ A ALGUÉM?", ficamos, 2 segundos talvez, a olhar-nos em cólera e em espanto e ele foi-se embora, fiquei sem palavras.

Estava arrependidíssimo do que havia dito e entre aquela bola na garganta e o sentimento de culpa a hesitaçao do suposto rebaixamento demorou pouco a passar. Fui ter com ele, que estava com outros colegas derrotados e pedi-lhe desculpas pelo que disse, ele tinha razao.

Apesar do arrependimento é capaz de ter sido importante que tivesse acontecido, existem coisas assim, vivendo sao muito mais intensas, e a aprendizagem é muito mais profunda. Acredito ter adquirido uma boa qualidade!

21 de agosto de 2012

Musicas Musicas

Conduzia eu para a praia e ouvia a rádio, 3 coisas que praticamente só faço nas férias, e estas coisas sabem-me sempre a pequenos prazeres. Como tal, desfrutava conscientemente os detalhes e, como nao é normal também, prestava a atençao à letra da música que passava na rádio, que era esta:


Resultou-me estranho que uma música assim passasse repetidas vezes em horário normal (sabia que nao era a primeira vez que a ouvia) e perguntei-me quando terá sido que as músicas ficaram tao (ou tao pouco) subliminarmente sexuais. Ia continuar a crítica mental, tal qual a escrevo aqui, quando a resposta se me afigurou na cabeça:

"Há já algum tempo Igor, há já algum tempo!"



Os "velhos tempos" sao mesmo iguais aos "novos tempos"!

13 de agosto de 2012

21 Dezembro 2012 - O Fim do Mundo

Peço desculpa por ter estado tanto tempo sem escrever. Tenho estado a aproveitar as pseudo-ferias, pseudo porque nao sao de verdade, férias, porque desde que acabei a pos-graduaçao que me sinto como se tivesse montes de tempo (para nao fazer nada, e é tao bom!). Mas as ferias de verdade estao a chegar, depois de amanha exactamente, praia e pouco mais, e vou ser feliz!

E que tema melhor para regressar que o do fim do mundo?

A internet, o cinema, as revistas e as livrarias estao cheias deste tema! 2012 o fim do mundo segundo calendário Maia!

Mas afinal, o que é que os Maias disseram?

O Calendário Maia é formado por tres rodas dentadas como podem ver na figura.



Bem, parece que no dia 20 de Dezembro estas rodas terminam um ciclo completo, sendo o dia 21 como que uma nova era.

Agora, há quem diga que o mundo vai acabar, outros mais cautelosos dizem apenas que a Humanidade vai viver tempos de mudança.

Aqui no Ocidente, apesar de apenas alguns séculos mais tarde, dois ou tres, alguns religiosos quiseram fazer crer a algumas pessoas que o mundo esteve para acabar quando Cristo ressuscitou. Depois, no ano 1000, também foram registadas mortes, euforias e histerias pelo fim do mundo, ano 2000 igual, e agora 2012! Agora é o calendário Maia, depois será o Babilónio e até, quem sabe, o Antartido!!

Alguns fanáticos dizem que o mundo vai mesmo acabar, outros mais new age dizem só que o mundo vai mudar!, bem, eu acho que vai mudar sim, já vimos que tudo está a acontecer a um ritmo exponencial nao admira que algo mude, assim como mudará no dia seguinte, e no dia depois desse.

Mas se ainda houvessem dúvidas, li na National Geographic - Historia que parece ser que dois arqueólogos norte-americanos - William Saturno e David Stuart - encontraram um habitáculo Maia com vários ciclos planetários e lunares, este ciclos estendem-se mais de 7 mil anos além do nosso ano... parece que ser que a poderosa civilizaçao Maia, que alegadamente definiu o fim do mundo mas nao chegou até ele, afinal, nao aspirou a tanto (prever o Fim!) mas conseguiu descrever todos estes ciclos... isso sim acho impressionante! Mas fazer um filme com astrologos fechados num habitaculo a desenhar ciclos lunares nao é digno de Hollywood, nem vende tantos livros da conspiraçao, é pena!

2 de agosto de 2012

Porque é que...

Porque é que sempre que eu passo meia hora a cozinhar, passo duas horas a lavar a loiça, a bancada, a placa e o chao?... Nao gosto muito desta proporçao...