Desde que comecei a pós-graduaçao que me perguntam várias vezes "como é estudar em Oxford?", ou "que diferenças vês no ensino?" ou perguntas parecidas.
A primeira diferença é, com certeza, o preço! Barato nao é, e pagando em libras menos ainda... é uma diferença importante que, no entanto, foi a que me fez ousar a candidatura.
Lembro-me de uma conversa com um amigo que se doutorou em Cambridge, falavamos da continuaçao dos meus estudos e enquanto nessa altura essas universidades ainda me pareciam inalcansaveis ele dizia-me que: se tinha o dinheiro para poder pagar ou o contexto para aceder a uma bolsa, para me candidatar: "Candidata-te, vais ver que entras!" E entrei!
Na cabeça punha uma barreira que nao existia e nao via sequer outras que apesar de terem de ser ultrapassadas eram mais pequenas.
Desta diferença normalmente nao falo, mencionei-a aqui apenas para também eu reforçar o cliché verdadeiro de que nao há maior barreira que aquela que nos impo-mos a nós mesmos e que tentando (atençao que aqui mudo a banalidade e escrevo tentando e nao acreditando) os sonhos tornam-se realidade.
As verdadeiras diferenças que vejo no ensino em Oxford, em comparaçao com aquele que conheço em Portugal, sao duas: o sentido practico e útil dos trabalhos e ensino e a consciência económica dos mercados.
Os meus primeiros trabalhos foram 1 a revisao e melhoria de um artigo da Wikipedia e 2 uma carta ao Ministro da Economia de Portugal sobre várias questoes importantes que emergem com o surgimento e desenvolvimento da Nanotecnologia no nosso país (quando terminar a PG e tiver tempo para traduzir a carta do Inglês envio-lha). Como Cientista tenho de ter a consciência de ser pro-activo com a sociedade e participar na sua educaçao e desenvolvimento. Longe vao os trabalhos que se escrevem, faz-me um powerpoint com umas animaçoes giras e deixa-se arrumado numa pasta que se perde pelo computador, nao, aqui ninguém trabalha para aquecer, tem de haver um outcome real e prático além do conhecimento adquirido.
Depois, isto da Ciência e da busca do conhecimento é muito bonito, mas se nao gerar riqueza nao é muito útil para a economia e consequentemente para o país.
Se calhar, estudar a correlaçao entre a ingestao de amendoins e o crescimento das unhas dos pés nao é muito útil (a menos que possuam uma plantaçao de amendoins, aí talvez!), mas mesmo que se queira demonstrar uma nova tecnica para a produçao de átomos artificiais para aplicaçoes electrónicas é preciso entender que mercado vai ser abrangido, que utilidades vai ter essa investigaçao, que postos de trabalho pode gerar, que crescimento económico pode permitir.
Entender que as ideias têm um valor que deve ser comercializado, que os custos devem ser racionados, que a inovaçao é o unico caminho para o crescimento sustentado é uma nota presente em todos os trabalhos que faço.
Estas sao as duas principais diferenças que encontro.
Outra, possivelmente obvia mas dificil de explicar sem se viver, é a exigência!
Tem sido uma liçao de humildade, eu vinha habituado a ter boas notas, a entender tudo o que estudava, a ser inteligente... Pois nada disto acontece mais, nao tenho boas notas (apesar de em minha defesa alegar que 1 trabalho mais de 8h por dia 5 dias por semana e depois disso venho estudar e 2 fomos repetidas vezes avisados que notas acima de 75% sao muito muito raras e representam Excelência), nao entendo tudo por muito que estude e sinto-me realmente muito ignorante quando estou em conversa com alguns dos meu professores, que por sinal, trato pelo primeiro nome: "Ola Pete, tudo bem?".
Por este motivo acho que sou uma pessoa muito mais exigente comigo mesmo e com os outros.
Mais do que o que aprendo sobre Nanotecnologia, aprendo como cidadao e em como ser bom nao chega, é preciso ser, pelo menos, muito bom! Nao falo de inteligencia ou capacidades extraordinárias, falo de trabalho, de vontade, de dedicaçao... estes sao valores que quando sao bons ainda sao pouco, nestes devemos tentar ser excelentes, e nao é fácil, nao é nada fácil!
(E o Operador Telefónico?)
Outro aspecto sobre a minha forma de ser e agir é que eu tenho um grave problema de falta de memória, quem me conhece sabe que é verdade, eu tento corrigir mas já nao é defeito, é feitio, ou pelo menos assim o tento justificar quando me esqueço dos anos de amigos, ou de comprar o pao.
Mas eu tento combater este problema (sim eu já passei a primeira fase e já o admiti como problema, a segunda é que está a ser mais dificil), e uma das coisas que faço para exercitar a mente (apesar de nao ter muito claro se é verdade que se exercita destas formas) é ter códigos pin, multibanco, palavras-chave e afins diferentes em tudo o que é sitio de ter estas coisas. Motivado por questoes de segurança, naturalmente, nao cedo ao comodismo e como forma de aliviar a culpa de alguns esquecimentos (e quizá exercitar mesmo a mente) obrigo-me a decorar todos estes numeros, caracteres e letras.
O problema está, por exemplo, quando me esqueço do pin de um dos telemóveis... como aconteceu da ultima vez que fui a Portugal e descendo do aviao com pressa... bloqueei o telemovel... e se para saber o pin é dificil, imaginem o puk! Uma nota interessante (e mais deprimente...) é que já uma vez me tinha esquecido deste pin, mas a esforço nessa altura lá o relembrei, desde entao mudei-o para igualar a outro código, reduzindo a quantidade de códigos que tenho na cabeça, mas esqueci-me também deste novo que escrevo igualmente noutras circunstâncias...
Tive de ligar para a Vodafone para ver se me podiam dizer o puk.
Já uma vez tinha ligado porque à minha avózinha lhe tinha passado o mesmo ( masela tem quase 70 desculpas para isso, eu nao!) e já conhecia o procedimento, dizer o pin original, se nao soubesse dar outros dados como o nome do portador e a data e valor dos ultimos carregamentos (como é que eu me lembro disto???). Ia preparado para a segunda opçao claro!
Atende-me um rapaz bastante simpático, explico-lhe o que me aconteceu e ele pergunta-me o pin inicial do cartao, ao que eu respondo automáticamente depois de segundo e meio de hesitaçao 3272!
"Exactamente Sr. Igor, tem sitio para anotar o puk?"
Ãh???!!!
Mas como é que eu sei isto? Que raio de cérebro é este que gosta de me pregar partidas estranhas?
O rapaz ainda me disse que podia aceder a esta informaçao no site se quisesse, que da próxima nao precisava ligar e confirmou-me que a chamada era cobrada. Despediu-se pedindo que respondesse a duas perguntas rápidas, agradeceu em nome da companhia o contacto e passou-me a chamada à voz feminina impessoal:
"O seu problema foi resolvido? Responda Sim ou Nao!"
-Sim
"Com base na qualidade desta chamada recomendaria a Vodafone aos seus amigos e familiares?"
Tinha de classificar de 0 a 10 e aqui hesitei uns 2 ou 3 segundos. Neste tempo pensei nas estatisticas que iam ser apresentadas seguramente na televisao, em como eu nao recomendo um operador telefónico baseado numa chamada e em como a chamada me tinha custado dinheiro (acho bem que se cobre por causa dos engraçadinhos, mas antigamente a Vodafone devolvia o dinheiro se a causa fosse verdadeira).
Com a pressa de terminar a chamada que outras coisas mais interessantes esperam sempre (ainda que raramente saibamos de quê ou para quê temos pressa, como é o caso se o penso agora) carreguei no 6 e desliguei a chamada.
"Tu deste-lhe SEIS???" disse indignada a minha namorada que estava encostada no meu peito e ouviu a conversa!
"Entao!?"
"Ele foi super simpático, resolveu-te o problema em meio minuto e das-lhe 6??"
E teve a meia hora seguinte a dar-me na cabeça!... Para isto servem as namoradas!!
Tentei justificar que estava a avaliar a Vodafone nao o rapaz, que a partir de 1 "já recomendaria qualquer coisita", 5 era bom e 6 já era um nota realmente positiva! Mas no fundo... ela tinha razao, ou pelo menos convenceu-me disso (nao é isso que fazem as namoradas!!!).
___
Realmente, vejo que sou uma pessoa muito mais exigente com os serviços que uso, com as pessoas com quem trabalho e comigo mesmo, porque vejo que posso ser/dar mais se assim for exigido.
De qualquer forma, o exigido foi cumprido, e o rapaz merecia à vontade, e pelos mesmos critérios, um 7 e bem disposto um 8 (acho que para a namorada nao vai ser suficiente, mas já me dirá!)
___
Depois de escrever, reler e pensar sobre este post vejo que é importante para mim porque de uma vez só solucionei várias questoes:
Primeiro a minha necessidade de expor o que penso (para dize-lo com palavras bonitas).
A minha mae diz que o meu pai devia ter ido para Padre pelos sermoes (ideológicos) que gosta de dar e eu acho que lhe segui a genética ou o hábito...
Segundo alivio a minha consciência karmica, conceito em que nao acredito mas valorizo (isto é possível?).
e Terceiro resolvo as coisas com a namorada que agora, só para gozar comigo, me tem feito sentir mal pela nota que dei ao rapaz.
É uma querida e é por estas coisas que eu, no fundo e à superficie, gosto muito dela! (estou a ser irónico? Nao! Mas nem Oxford é tao exigente comigo como ela! E eu adoro estudar em Oxford...)
25 de abril de 2012
22 de março de 2012
Enquanto as horas vespertinas passavam
Enquanto as horas vespertinas passavam, os amantes despertavam do leve sono que as poucas horas dormidas lhes permitiram. Da janela viam-se águas plácidas e escurecidas pela ausência do Sol nascente, o comboio atravessava a ponte que os deixaria na ilha artificial criada séculos atrás por motivos misteriosos, ainda que a indigência e segurança sejam apontados como necessidades que assim o justificaram.
Ainda dentro da máquina a atmosfera pareceu mudar, como se o breu que apenas se deixava ver pela luz ténue da presente Lua Cheia fosse entrando pelas fissuras e entrecortes das chapas metálicas desta moçao solitária.
Chegados ao destino foram recebimos por madrugadores habitantes: várias gaivotas estridentes, que se ensinuavam como se denunciando delatores do tempo, a nossa hora de ocupar a cidade ainda nao tinha chegado diriam se as podessemos entender.
Tudo aqui era diferente!
Como se o espaço fosse outro e o tempo espesso.
Seria um espaço pestilento, ainda que o odor esperado nunca tivesse surgido, era um espaço pegajoso, como se o ar se pegasse à pele e às narinas invadindo-nos a cidade pelas entranhas!
Nao havia como fugir a esta atmosfera que nos engloba e traga.
O dia tardaria ainda em nascer mas os primeiros sinais de que era eminente foram os atletas madrugadores que aqui e ali apareciam e desapareciam por capilares sinuosos.
Com a percepçao toldada pelo sono ainda presente e lojas turisticas e tascas locais fechadas com graffitis a guardar as portas esta parecia uma cidade abandonada.
"Chegámos tarde!" Podia-se haver pensado! O efeito da hora tardia sempre foi dificil de separar do da hora prematura.
À medida que a cidade despertava e a actividade humana a aquecia a atmosfera que a sustinha neste limbo imaterial era mascarada, justificando, quem sabe, o tradicional tema desta localidade.
A Luz nascia, o locais surgiam, os visitantes também, a cidade despertava e os lampioes enublados adormeciam.
Tudo aqui era diferente!
A insistência do sono obrigou a uma sesta matinal. Enquanto ela dormia aninhada no colo dele, ele, conhecido das insónias, observava o pequeno largo onde pararam.
Sitio de pouco movimento casual era frequentado apenas por necessidade rotineira e entregas ritmadas dos transportadores dos pequenos carros do lixo - Que sistema curioso! - pensava enquanto observava as cargas e descargas destes carrinhos-de-mao adaptados.
O almoço da manha foi o bolo tradicional da regiao, ou pelo menos assim o chama o único pasteleiro que o fazia em toda a "regiao" - Fui eu que o inventei!" dizia. "Terás sido tu que o nomeou também!" pensavam.
Uma espécie de pao doce de pistachio que condizia em tudo, de facto, com a cidade. Com um interior verde pantano, tinha um sabor estranho que rapidamente se diluía num doce característico. Merecia o título!
Passearam pelas ruas e vielas, atravessaram canais e tiraram fotografias.
Como de costume, a idade nao se lhes passa e viviam o romance como desde o primeiro dia, mais que o primeiro dia, porque agora é sustentado por uma cumplicidade de olhares eloquentes e gestos indecifraveis. E aqui, nesta cidade reconhecidamente romântica, quer pela sua peculiaridade quer pelas suas tradiçoes e mistério o romance foi a nota que os distraiu do cansaço.
Viram igrejas douradas e subiram a torres, entraram em lojas e comeram gelados, comeram pizzas e compraram peças de vidro tradicionais.
A meio da tarde, enquanto sentados na margem de um canal admirando por um lado os transportes, por outro as esplanadas ela surpreende-se: - Viste algum carro? - nao, nao tinham visto nenhum carro durante todo o dia. A consciência de algo tao elementar e, naquele contexto tao obvio, fe-los parar de novo e pensar "Realmente, aqui só existem barcos!". Tinham visto barcos-do-lixo, barcos-ambulância, barcos-taxi, barcos-barcos, barcos-autocarro todo o tipo de barcos, nenhum carro, parado ou em movimento.
Tudo aqui era diferente!
Restabelecidas as forças e as ansias retomaram caminho, passada a novidade repetiram ruas, admiraram a paisagem com a calma do habitual e descobriram outros detalhes. Voltaram para trás e de novo para a frente. Era uma cidade labirintica onde se poderiam demorar semanas a percorrer todas as suas tranças retorcidas e estreitas, mas que num dia determinado se podem ver e conhecer os dois lados da transitada ponte Rialto.
O dia chegava ao fim, era tempo de voltar ao lado continental e a estranhamente primeira viagem de barco, e última desse dia, que substituiria o comboio nao se deixaria esperar.
Com estacas a fazer as vezes de traços descontinuos nestas águas baixas, assim eram marcadas estas auto-estradas marítimas.
Comeram pizza e beberam chardonnay blanc, para sobremesa, caipirinha, ou deve dizer-se para digestivo? existem sempre tantos nomes para as melhores partes de um todo! Nada mais podia ser estranho, o local justificava a comida, o romance o vinho e o tema do dia a sobremesa.
Há noite, sentados num tronco que balançava nos calços desequilibrados e com os pés na relva tremiam de frio, mas viam ao longe: os lampioes neblosos haviam despertado e marcavam um mural indistinto no horizonte.
Desta muralha negra pela ausência de luz saltavam e assobiavam fogos de artifício como que vindos da própria linha do horizonte. Celebrava-se o Ferragosto.
Assim termirnou o dia de registo, a continuaçao fica nas memórias privadas.
Foi tudo tão diferente!
Voltarao!
A Luz nascia, o locais surgiam, os visitantes também, a cidade despertava e os lampioes enublados adormeciam.
Tudo aqui era diferente!
A insistência do sono obrigou a uma sesta matinal. Enquanto ela dormia aninhada no colo dele, ele, conhecido das insónias, observava o pequeno largo onde pararam.
Sitio de pouco movimento casual era frequentado apenas por necessidade rotineira e entregas ritmadas dos transportadores dos pequenos carros do lixo - Que sistema curioso! - pensava enquanto observava as cargas e descargas destes carrinhos-de-mao adaptados.
O almoço da manha foi o bolo tradicional da regiao, ou pelo menos assim o chama o único pasteleiro que o fazia em toda a "regiao" - Fui eu que o inventei!" dizia. "Terás sido tu que o nomeou também!" pensavam.
Uma espécie de pao doce de pistachio que condizia em tudo, de facto, com a cidade. Com um interior verde pantano, tinha um sabor estranho que rapidamente se diluía num doce característico. Merecia o título!
Passearam pelas ruas e vielas, atravessaram canais e tiraram fotografias.
Como de costume, a idade nao se lhes passa e viviam o romance como desde o primeiro dia, mais que o primeiro dia, porque agora é sustentado por uma cumplicidade de olhares eloquentes e gestos indecifraveis. E aqui, nesta cidade reconhecidamente romântica, quer pela sua peculiaridade quer pelas suas tradiçoes e mistério o romance foi a nota que os distraiu do cansaço.
Viram igrejas douradas e subiram a torres, entraram em lojas e comeram gelados, comeram pizzas e compraram peças de vidro tradicionais.
A meio da tarde, enquanto sentados na margem de um canal admirando por um lado os transportes, por outro as esplanadas ela surpreende-se: - Viste algum carro? - nao, nao tinham visto nenhum carro durante todo o dia. A consciência de algo tao elementar e, naquele contexto tao obvio, fe-los parar de novo e pensar "Realmente, aqui só existem barcos!". Tinham visto barcos-do-lixo, barcos-ambulância, barcos-taxi, barcos-barcos, barcos-autocarro todo o tipo de barcos, nenhum carro, parado ou em movimento.
Tudo aqui era diferente!
Restabelecidas as forças e as ansias retomaram caminho, passada a novidade repetiram ruas, admiraram a paisagem com a calma do habitual e descobriram outros detalhes. Voltaram para trás e de novo para a frente. Era uma cidade labirintica onde se poderiam demorar semanas a percorrer todas as suas tranças retorcidas e estreitas, mas que num dia determinado se podem ver e conhecer os dois lados da transitada ponte Rialto.
O dia chegava ao fim, era tempo de voltar ao lado continental e a estranhamente primeira viagem de barco, e última desse dia, que substituiria o comboio nao se deixaria esperar.
Com estacas a fazer as vezes de traços descontinuos nestas águas baixas, assim eram marcadas estas auto-estradas marítimas.
Comeram pizza e beberam chardonnay blanc, para sobremesa, caipirinha, ou deve dizer-se para digestivo? existem sempre tantos nomes para as melhores partes de um todo! Nada mais podia ser estranho, o local justificava a comida, o romance o vinho e o tema do dia a sobremesa.
Há noite, sentados num tronco que balançava nos calços desequilibrados e com os pés na relva tremiam de frio, mas viam ao longe: os lampioes neblosos haviam despertado e marcavam um mural indistinto no horizonte.
Desta muralha negra pela ausência de luz saltavam e assobiavam fogos de artifício como que vindos da própria linha do horizonte. Celebrava-se o Ferragosto.
Assim termirnou o dia de registo, a continuaçao fica nas memórias privadas.
Foi tudo tão diferente!
Voltarao!
20 de março de 2012
12 de fevereiro de 2012
Fechado para obras
Fechado para obras até meados de Junho!
Motivo: o efeito tunel, o superparamagnetismo, os nanotubos, o mean free path, o gato de Schrodringer e outros têm de ser entendidos!
Procuraremos ser breves, pedimos desculpa pelo incomodo...
Motivo: o efeito tunel, o superparamagnetismo, os nanotubos, o mean free path, o gato de Schrodringer e outros têm de ser entendidos!
Procuraremos ser breves, pedimos desculpa pelo incomodo...
27 de janeiro de 2012
Honour Among Thieves
Vinha do trabalho no autocarro, como de costume, a ler.
Lia um artigo interessante sobre tecnicas de coloraçao de vidro com nanoparticulas.
O primeiro contacto que tive com o mundo do vidro e da arte de o produzir foi em Veneza, com o vidro de Murano, e desde entao que fui percebendo como é uma arte secular cuja mestria vem sendo aperfeiçoada e a pesquisa e saber são profundos e misteriosos.
Normalmente, quando viajo de autocarro aproveito para ler/trabalhar - como adenda desenvolvo ainda que... além de seres mais ecologicos e mais economicos, o tempo que se ganha usando estes transportes é enorme: no pouco mais de 30m minutos que demora a viagem até à paragem há porta do trabalho eu estudo bastante, na viagem de volta também, é mais de uma hora de estudo por dia que se fosse a conduzir nao tinha... nao entendo, nem concordo, com a chamada "comodidade" do carro, é só um a parte... - e o sitio onde me sento é importante.
Lembro-me de alguém de dizer quando era pequeno que nao gostava de ir na parte de trás da camioneta porque com os amortecedores subia-se e descia-se muito e ficava-se mal-disposto, cresci com esta crença até me aperceber certo dia que enjoava (se lia) mais na metade da frente do autocarro.
As curvas na parte da frente do autocarro sao mais abertas, na parte de tras, que "segue" a da frente, nao curva tanto e por isso é mais facil ir lendo sem problemas.
Por este motivo sento-me agora mais atrás.
Se antes me sentava atrás do banco reservado a incapacitados e idosos e isso me valeu ouvir uma serie de conversas engraçadas entre velhotes, agora sento-me no banco à frente da ultima fila da parte de trás e ouço conversas de miudos (sou um cuscuvilheiro). Bem, nao é verdade que ouça muito, como disse vou a ler, mas a meio da viagem de hoje acabou-se o artigo e dois rapazes que nao faziam questao de nao serem ouvidos estavam sentados ora atras de mim, um, ora nos bancos do lado outro.
Eram dois miudos, deviam ter 16/17 anos, calças de ganga, casaco de carapuço que nao sai da cabeça, fosse verao e teriam os oculos de sol postos, cabelo rapado, brincos na orelha, sotaque de rua e vocabulário a condizer pés em cima dos bancos vazios.
Dizia A para B (o terceiro personagem vai ser CC); e nao vou traduzir literalmente, o Portugues nao tem sequer tanta asneira para ser traduzida, alias, eu tenho a teoria de que os Espanhois nao têm asneiras no vocabulario, porque para eles quase nada é asneira, pode-se dizer tudo, mas ainda assim conseguem ser pródigos e muito criativos quando lhes toca praguejar:
A - Meu, bora sair.
B - Men nao posso, tou sem guito.
A - Bora la meu, vamos para casa de alguém, compramos umas birras e fazemos a festa.
B - Epa estou mesmo sem cheta pa, nao tenho dinheiro, nem tabaco nem nada (vao substituindo ou acrescentando varias asneiras, este "nada" por exemplo, nao era um "nada", mas aquilo a que se chamava antigamente ao topo do mastro principal dos barcos, "o car***").
...
A - Epa nem sabes o que me aconteceu no outro dia!!!
B - Entao?
A - Entao nao é que estou à janela do meu quarto e vejo um gajo (aqui passou, literalmente, 1 ou 2 minutos a insultar este indivíduo) a passar com a minha bicicleta, a que me tinham roubado!
B - A serio?!!
A - Sim meu. Ouve, desci logo com um bastao na mao, fui ter com o gajo (aqui descreveu a conversa onde lhe chamou tudo menos santo) e meu, ia-o matando, e o gajo ainda me diz "Epa nao te ponhas assim, tem calma", tem calma??? (novo jorro de insultos) eu matava o gajo, nem pintou a bike nem nada o otário (nao foi "otário" que lhe chamou).
B - Eina, ca ganda cena...
A - Ia meu... por uma bike que nem 30€ custou, mas nao interessa... é minha.
B - Ia meu, é tua...
A - Eu até conhecia o gajo de vista... era o... o... epa o nome dele era C qualquer coisa... C.
B - CC?
A - IA, ia... era esse mesmo!
B - Eina esse gajo é meu colega!!!
A - A sério??
B - Sim meu... é um gajo bacano.
A - Pa pode ser bacano mas nao tinha razao meu. - num tom de aquiescência mais calma mas pedindo concordância.
B - Ia ia meu, se nao tinha razao nao tinha razao.
A - Ia, bolas (ele nao disse "bolas").
B - Ia meu, sao cenas que acontecem.
A - Pa ia...
Eu nao sei se estao a perceber o diálogo... é dificil pela ausência de tons e volumes, e pelo vocabulario em si que nao recordo ou nao se traduz, mas no final, ambos concordavam que era uma coisa "normal", ou seja, podia acontecer a qualquer um! Quer dizer... roubar uma bicicleta e ter o azar de se encontrar com o dono (só a mim é que isso nao me acontece...) é uma chatice realmente... e pronto, nesse caso uma pessoa só tem de dar o braço a torcer e admitir que "nao tem razao", é como ser apanhado a por o dedo na tarte de maça que estava na janela estao a ver a traquinice? Realmente, raios partam, que chatice. (parece que estou a ouvir o Markl a dizer esta frase!!!).
Afinal, o problema deste mundo é levarmos as coisas demasiado a sério! (ou nao, ou nao)
Lia um artigo interessante sobre tecnicas de coloraçao de vidro com nanoparticulas.
O primeiro contacto que tive com o mundo do vidro e da arte de o produzir foi em Veneza, com o vidro de Murano, e desde entao que fui percebendo como é uma arte secular cuja mestria vem sendo aperfeiçoada e a pesquisa e saber são profundos e misteriosos.
Normalmente, quando viajo de autocarro aproveito para ler/trabalhar - como adenda desenvolvo ainda que... além de seres mais ecologicos e mais economicos, o tempo que se ganha usando estes transportes é enorme: no pouco mais de 30m minutos que demora a viagem até à paragem há porta do trabalho eu estudo bastante, na viagem de volta também, é mais de uma hora de estudo por dia que se fosse a conduzir nao tinha... nao entendo, nem concordo, com a chamada "comodidade" do carro, é só um a parte... - e o sitio onde me sento é importante.
Lembro-me de alguém de dizer quando era pequeno que nao gostava de ir na parte de trás da camioneta porque com os amortecedores subia-se e descia-se muito e ficava-se mal-disposto, cresci com esta crença até me aperceber certo dia que enjoava (se lia) mais na metade da frente do autocarro.
As curvas na parte da frente do autocarro sao mais abertas, na parte de tras, que "segue" a da frente, nao curva tanto e por isso é mais facil ir lendo sem problemas.
Por este motivo sento-me agora mais atrás.
Se antes me sentava atrás do banco reservado a incapacitados e idosos e isso me valeu ouvir uma serie de conversas engraçadas entre velhotes, agora sento-me no banco à frente da ultima fila da parte de trás e ouço conversas de miudos (sou um cuscuvilheiro). Bem, nao é verdade que ouça muito, como disse vou a ler, mas a meio da viagem de hoje acabou-se o artigo e dois rapazes que nao faziam questao de nao serem ouvidos estavam sentados ora atras de mim, um, ora nos bancos do lado outro.
Eram dois miudos, deviam ter 16/17 anos, calças de ganga, casaco de carapuço que nao sai da cabeça, fosse verao e teriam os oculos de sol postos, cabelo rapado, brincos na orelha, sotaque de rua e vocabulário a condizer pés em cima dos bancos vazios.
Dizia A para B (o terceiro personagem vai ser CC); e nao vou traduzir literalmente, o Portugues nao tem sequer tanta asneira para ser traduzida, alias, eu tenho a teoria de que os Espanhois nao têm asneiras no vocabulario, porque para eles quase nada é asneira, pode-se dizer tudo, mas ainda assim conseguem ser pródigos e muito criativos quando lhes toca praguejar:
A - Meu, bora sair.
B - Men nao posso, tou sem guito.
A - Bora la meu, vamos para casa de alguém, compramos umas birras e fazemos a festa.
B - Epa estou mesmo sem cheta pa, nao tenho dinheiro, nem tabaco nem nada (vao substituindo ou acrescentando varias asneiras, este "nada" por exemplo, nao era um "nada", mas aquilo a que se chamava antigamente ao topo do mastro principal dos barcos, "o car***").
...
A - Epa nem sabes o que me aconteceu no outro dia!!!
B - Entao?
A - Entao nao é que estou à janela do meu quarto e vejo um gajo (aqui passou, literalmente, 1 ou 2 minutos a insultar este indivíduo) a passar com a minha bicicleta, a que me tinham roubado!
B - A serio?!!
A - Sim meu. Ouve, desci logo com um bastao na mao, fui ter com o gajo (aqui descreveu a conversa onde lhe chamou tudo menos santo) e meu, ia-o matando, e o gajo ainda me diz "Epa nao te ponhas assim, tem calma", tem calma??? (novo jorro de insultos) eu matava o gajo, nem pintou a bike nem nada o otário (nao foi "otário" que lhe chamou).
B - Eina, ca ganda cena...
A - Ia meu... por uma bike que nem 30€ custou, mas nao interessa... é minha.
B - Ia meu, é tua...
A - Eu até conhecia o gajo de vista... era o... o... epa o nome dele era C qualquer coisa... C.
B - CC?
A - IA, ia... era esse mesmo!
B - Eina esse gajo é meu colega!!!
A - A sério??
B - Sim meu... é um gajo bacano.
A - Pa pode ser bacano mas nao tinha razao meu. - num tom de aquiescência mais calma mas pedindo concordância.
B - Ia ia meu, se nao tinha razao nao tinha razao.
A - Ia, bolas (ele nao disse "bolas").
B - Ia meu, sao cenas que acontecem.
A - Pa ia...
Eu nao sei se estao a perceber o diálogo... é dificil pela ausência de tons e volumes, e pelo vocabulario em si que nao recordo ou nao se traduz, mas no final, ambos concordavam que era uma coisa "normal", ou seja, podia acontecer a qualquer um! Quer dizer... roubar uma bicicleta e ter o azar de se encontrar com o dono (só a mim é que isso nao me acontece...) é uma chatice realmente... e pronto, nesse caso uma pessoa só tem de dar o braço a torcer e admitir que "nao tem razao", é como ser apanhado a por o dedo na tarte de maça que estava na janela estao a ver a traquinice? Realmente, raios partam, que chatice. (parece que estou a ouvir o Markl a dizer esta frase!!!).
Afinal, o problema deste mundo é levarmos as coisas demasiado a sério! (ou nao, ou nao)
24 de janeiro de 2012
Identificam-se?
(PGd 2º Módulo)
22:20...
Computador, Pijama e Café... ou eu percebo isto a bem ou vou perceber a mal...
22:20...
Computador, Pijama e Café... ou eu percebo isto a bem ou vou perceber a mal...
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