27 de fevereiro de 2011

Laranjas com sementes

Antes de começar este blog pensei bastante! Se o abriria, do que falaria, do que nao falaria, etc!
Primeiro pensei nestes aspectos. Pensei em possiveis posts, pensei em posts que até gostava de escrever mas que nao escreveria, na utilidade deste espaço... enfim, numa série de coisas que acho normal pensar-se antes de começar a escrever um coisa destas!
Mas nessa altura... nunca pensei que me demorasse tanto tempo a decidir o nome para o dito blog! Surgiram-me imensos... mas nenhum se adequava, nenhum dizia exactamente o que queria. Até que um dia, lembrando uma conversa que tinha tido faz tempo e que sabia que um dia teria de postar (um dia destes) este nome veio-me há cabeça e nesse momento decidi que seria este o nome do blog By the end of the day! Adequa-se por vários motivos... descreve quando escrevo aqui... faz parte do tempo que reservo para mim depois de todas as obrigaçoes que me prendem e representa assim, grossomodo, o fim de mais um dia, um até amanha!... por outro lado penso neste titulo como uma expressao de clarividência... no fim do dia tudo fica claro! os problemas passaram, resolvidos ou nao, as surpresas passaram a conhecidas, o panorama é geral e claro, podemos fazer um rewind, pensar melhor sobre algo, buscar conclusoes diferentes, etc!
O fundo tambem nao foi escolhido por acaso... como o nome, vejo nele, ora por um lado, o fim do dia para uns e o inicio para outros, ora por outro, vejo nele o nosso Mundo e é sobre ele que eu quero falar aqui, sobre o nosso espectacular (e este é o adjectivo exacto que utilizo, espectacular) Mundo!
O nome do blog, pela forma como surgiu na conversa, faz uma ligaçao muito importante a este Mundo e por isso mesmo acho que escolhi bem o título. Para aquilo que eu gostava de transmitir - consiga-o ou nao - é o título indicado.

E voces agora perguntam - com toda a razao - mas e entao porque raio se chama este post Laranjas com sementes? Pois é uma pergunta muito pertinente... é que este blog teve quase a ter esse nome... porque eu sou do tempo em que ainda se comiam laranjas com sementes e acho que este nome também estaria bem, por tudo o que representa. Acho que perdi um bocado no pitoresco, mas ganhei em significado.

Só é pena que às vezes, por termos escolhas tao limitadas, se percam bons nomes!

26 de fevereiro de 2011

Aristides de Sousa Mendes

Ja escrevi aqui que achava que tínhamos perdido o espírito de aventura, as garras de agarrar o mundo!
Mas depois lembro exemplos destes e sou alegremente obrigado a repensar este tema!
Temos em nós Portugueses esta grandeza... nao nos esqueçamos destes exemplos, que infelizmente nao nos ensinam sequer, para que possamos recordar.
Podia dizer várias coisas, mas deixo-vos um video e espero que a vontade para pesquisarem mais!
Aprendamos que podemos ser grandes com decisoes tao simples e conheçamos a nossa História, para nela projectar o futuro.


Provérbios 4

Raquel em relaçao ao comentário no Provérbio 1, há um aqui em Espanha mais parecido, nao tenho a certeza se já o ouvir em Portugal ou nao,é-me familiar, nao sei, mas o sentido é o mesmo o que disseste, diz:

Vai devagar que tenho pressa

25 de fevereiro de 2011

Provérbios 3

Há muitos provérbios que os ouço como traduçoes do Português... e nessa altura fico sem saber de onde sao, o que me deixa um bocado agastado mas curioso! Aqui em Espanha, pela proximidade geográfica e histórica, naturalmente há muitos parecidos!
Mas este disseram-mo no outro dia e nunca o ouvi em Portugal, apesar de soar mais ou menos familiar... assim, desta forma, nao sei se o teremos ou nao. De todos os modos achei um bom provérbio para partilhar:

É mais fácil ver o cisco no olho alheio que no nosso

E nao é verdade!

24 de fevereiro de 2011

Humildade VS Consciência

Eu vou repetindo que vou escrever um post sobre o que penso que é ser Português mas entretanto vou escrevendo aos poucos tudo o hei-de la escrever!
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Eu acho que a Humildade é sobrevalorizada! É sobrevalorizada em muitos países e especialmente em Portugal, onde a integramos no Bem Educado e na Boa Pessoa.


Eu podia tentar descrever o que penso que é ser humilde, mas vou deixar o dicionário fazê-lo por mim:


humildade
1.qualidade do que é humilde, simplicidade, modéstia
2.sentimento proveniente do conhecimento dos próprios erros ou defeitos
3.submissão, respeito
4.inferioridade



Acho que poucas Palavras estao tao bem definidas no dicionário Português como esta.
A primeira palavra que descreve Humildade é "qualidade", portanto já sabemos que humildade é algo que devemos ter, é bom, é uma qualidade.
A qualidade da modéstia eu resumiria (sabendo que um resumo é sempre um resumo), é o: "oh... nao fiz nada de mais!", "eu nao sei nada", "os outros - mais velhos, com mais experiência, mais altos, mais morenos, que falam mais alto, que dizem que é assim porque eles sabem, os mais novos que percebem mais disto, os que saiem mais - sabem mais que eu"


Vejo muito curioso que as palavras "submissao" e "respeito" estao na mesma linha! Interessante nao? - e também já disse aqui uma vez que estas coisas sao escritas (feitas), por pessoas que, acredito, percebem um bocado mais disto que eu (estarei a ser humilde?) - É que confundimos isso também... o respeito refere-se à deferência, ao acatamento, à homenagem ou ao culto de alguém para outro alguém e podem claro ocorrer em maior ou menor escala.

Com isto parece-me fácil entender a Inferioridade que aparece no fim!

Mas pergunto: nao é o conhecimento dos próprios erros ou defeitos uma qualidade?
É uma grande qualidade, a meu ver, e claro que há pessoas que nao sao a terao. Mas eu acho que esta qualidade é só metade da moeda, e uma meia moeda nao tem grande valor!

Aquilo que eu considero importante é ter, isso sim, Consciência Crítica, o verdadeiramente importante é saber dizer: "este trabalho que eu fiz está uma merda!" ou chegar e dizer "Eu fiz isto e penso que está muito bem feito!". Isto, a meu ver, é que devia ser valorizado. Ja ouvi chamar a esta coisa "Quociente Emocional", ou QE, ainda é um quociente, nao chegou a qualidade, como a humildade!

Devemos ser capazes de idenficar os nosso defeitos, com a intençao de os corrigir e de modo igual (nem a mais ou a menos) identicar as nossas virtudes para a potenciar!
Respeito, para mim, respeito é ter um amigo que me diz "És melhor que isso!" é ter um grilo no ombro que faz doer a cabeça de tanto martelar. Respeito é saber que o outro espera de mim apenas o melhor, saber que conquistei esse nível de confiança. Sentir o Respeito do outro é sentir o dever da Responsabilidade para com ele.

Acredito que devemos ter a melhor consciência de nós que conseguirmos alcançar e isso passa pela análise crítica e atenta dos nossos comportamentos, actos, pensamentos, crenças, opinioes, etc. E com esta análise, repito, identificar o que de melhor e pior há em cada um de nós! E nao é fácil!
Nao é facil porque a análise sistemática, per si, é já bastante difícil e depois porque nós nao somos a preto e branco e definir o melhor e o pior para potenciar e corrigir também nao é fácil!

Pessoalmente, e é pessoalmente, baseio-me em 3 factores:

- Cumprir o meu projecto pessoal de vida.
- Pôr felicidade no mundo dos outros.
- Manter iguais as possibilidades.

Nao têm ordem, podem pensar-se ao contrário ou como se quiser.
Neste caso os 2 primeiros trazem-me felicidade pessoal (desenvolverei este tema noutro post que se chamará  Marx vs Smith e será onde se justificará também o nome do blog!), realizaçao e sentido de missao cumprida. O 3o refere-se à justiça, à igualdade e pode ser como que uma base (continuando a ter a mesma importância que os outros) que me mantém recto neste caminho, só sinto a tal realizaçao se verificar que mantive este 3o ponto.

Acredito, para terminar, que o inicio deste post descreve uma questao mais ou menos universal e sobre a qual muitos de nós devia refletir. O fim descreve mais o meu sentimento pessoal em relaçao a esta questao e ha-de variar de pessoa para pessoa. É o que penso!

22 de fevereiro de 2011

Perspectivas

Finlândia, Helsínquia, no estagio:

P - O serviço militar em Portugal é profissional?
I - Sim, só vai quem quer. Aqui nao?
P - Nao, aqui ou vais para a tropa, ou fazes voluntariado, ou serviço social, ou... bem, ou vais preso, mas isso nao acontece claro!
I - Hum... interessante, pensava que aqui nao era obrigatório ir à tropa. (país tao desenvolvido e tem a tropa como serviço obrigatório, pensei)
P - (momento de silêncio pensativo) Pois, mas voces têm como vizinho apenas Espanha.
I - E entao? Por ser só um?
P - Nao, nao me percebeste... é que nós temos a Rússia aqui ao lado!
I - (momento de silêncio para processar) Mas isso é um problema?
P - Nunca se sabe... eles têm umas minorias lá que nunca se sabe!

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Espanha, Tres Cantos, conversando com uma Alema e um Iraniano:

C - A Alemanha e a França nao entraram nesta guerra contra o Saddam Hussein e fizeram bem... nao havia provas nenhumas de que eles tinha realmente as armas e na verdade ninguém as encontrou.
A - Bem mas... o Saddam é um ditador e tinha de ser afastado para as pessoas terem liberdade, além disso era um vizinho terrível, as pessoas confundem-nos com ele.
C - Sim mas... se vires as noticias Inglesas, vês como eles têm tido sucesso na conquista e na libertaçao do povo iraquiano, mas se vires um noticiário Alemao podes ver quantos soldados já morreram e quantos civis foram mortos também, era uma guerra deles, do povo iraniano, nao nossa. Por detrás disso estao interesses políticos, nada mais.
A - Pode ser... mas o povo pode viver em liberdade e antes vivia com medo.

Nao sei bem que dizer, mas acho que é uma vergonha e uma hipocrisia monumental (e se me perguntarem que palavra eu menos gosto é: Hipocrisia) que o mundo tenha aceite ao facilmente uma guerra como a do Iraque e esteja a assistir ao que se passa no Barhein e nao faça nada, principalmente os USA e a Europa.

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Espanha, Otto Bock, conversando com a Sra da limpeza, Filipina:

N - Sabias que foi Fernao de Magalhaes que descobriu as Filipinas?
I - Ignorância a minha... nao, por acaso nao sabia, que interessante!
N - E sabias, que eu aprendi que ele era Espanhol?
I - A sério???? Mas ele foi um dos maiores Descobridores Portugueses!!!
N - É verdade, eu só soube que era Português quando vim para Espanha e vi nos livros de História aqui. Ainda hoje, nas escola, as crianças aprendem que ele é Espanhol!
I - (desconcertado)...

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Finlândia, saindo da Suomenlinna, falando com um Brasileiro:

I - (rindo-se) Pois... realmente o problema do Brasil é ter sido descoberto pelos Portugueses, se tivesse sido descoberto pelos Ingleses ou assim, hoje era A potência mundial!
B - Nao, nada disso, a colonializaçao Portuguesa foi o melhor que nos pôde acontecer. Os Portugueses nao  tinham grandes problemas de raças inferiores e isso, e permitiram partilha de cultura com os indígenas, temos uma boa cultura ancestral por isso. Ao contrário, os Espanhois mataram e destruiram tudo o que encontraram.

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Algures na Finlândia, falando com um Belga:

...
I - Pois, porque nos Descobrimentos os Português descobriram meio mundo nao é!?
B - Bem... isso nao é bem verdade, porque todo o mundo que vocês supostamente descobriram ja estava descoberto por outros, ja haviam lá pessoas!
I - Ok... até pode ser, mas é como o nosso poeta Luis de Camoes disse, demos novos mundos ao mundo, ou seja, fomos lá, conhecemos e colocamos estes sítios no mapa, para que todos soubessem.
B - Sim... e depois disso exploraram esses sitios com mao de obra escrava e mataram civilizaçoes para o vosso desenvolvimento.
I - Amm... humm.... pois como os Espanhois, os Ingleses e outros.
B - Isso nao vos desculpa!

Tenho mesmo muita pena que os Portugueses tenham perdido (porque perderam) este espirito de aventura, de demanda, de arregaçar as mangas e Descobrir, mais, Fazer o mundo. Perdemo-lo e essa é a verdade (procurarei explicar-me melhor num futuro post sobre o que eu entendo que é ser Português), mas nao quer dizer que nao o possamos voltar a ganhar... com a História do nosso lado será aliás mais fácil.
Avançando um passo no entendimento que deviamos ter (era importante cimentar bem o 1o paragrafo antes de desmotivar com o este 2o), acho que é importante que percebamos os erros, as atrocidades que fizemos no passado, para que nao se repitam.
E é muito fácil repetirem-se!
Alguns pensarao que já nao há escravatura como havia... mas bem, eu acho que há coisas piores e mais disseminadas.
Os EUA e a China sao as potências mundiais e poluem juntos a maior fatia da poluiçao mundial. Se isto tambem nao nos desculpa o passado seguramente é pior que o que fizemos, uma vez que nao se pode comparar alguns (claro que importantissimos) milhares de pessoas com toda a populaçao mundial que está sujeita aos efeitos da sua despreocupaçao. E a verdade é que nao vejo muita gente a preocupar-se seriamente com isso, ou pelo menos gente que possa mudar algo.
Gostava que Portugal voltasse a dar novos mundos ao mundo, mas agora na Ciência, na Arte, na Literatura, na Aceitaçao do Outro... eu sei lá!

Acho importante sairmos da nossa bolha e conhecer a de outros para que mais tarde voltemos à nossa e a possamos fazer crescer.

É a minha perspectiva, sobre as perspectivas.

21 de fevereiro de 2011

Provérbios 2

Este é um provérbio Sérvio, que me foi dito por um Esloveno cujos pais eram Sérvios.
E este toca-me no âmago... todos temos as nossas particularidades e este provérbio... bem, é talvez o que mais gostei de saber até hoje.
Vou traduzi-lo do Inglês que me foi traduzido por ele do Sérvio, mas penso que o Sérvio neste caso nao terá particularidades que tornem a traduçao menos boa:

Quando um bom cavalo passa a poeira levanta.

E confesso que nao o entendi imediatamente, o que me fez gostar ainda mais dele!